quarta-feira, 8 de julho de 2015

Como Tirar seu Hospital do Vermelho

Como tirar seu hospital do vermelho?
Projeto apresenta um plano de ações que todas as instituições devem seguir para mudar sair da UTI financeira

Não é novidade dizer que a situação da saúde hoje é bastante preocupante. Carentes de investimentos e com tabelas defasadas causadas por problemas de repasse e agravadas pela inflação, Hospitais Públicos e Filantrópicos vão se equilibrando para conseguir se manter.

No caso dos Filantrópicos, a situação se complica. São cerca de 2.600 unidades no Brasil e geralmente as que amargam os piores resultados. Embora pareça vantajoso ser uma instituição deste segmento em razão dos benefícios que ela tem, como cota patronal, PróHosp, IAC, IHOSP, isenção de ISS, entre outros, a exigência por parte do governo pela destinação de 60% dos seus leitos para o SUS e uma tabela de diárias globais (que incluem diárias, taxas, medicamentos, materiais,exames) que não cobre nem 50% dos custos fixos,  são fatores limitantes - e que inviabiliza a sustentabilidade de grande parte delas.
E a tendência, infelizmente, não é de que tão cedo este cenário da saúde no país vá melhorar. Dados da Veja Saúde 2014 apontam que hoje os resultados numéricos das instituições de saúde filantrópicas e privadas no Brasil as colocam no seguinte patamar:


Os números mostram a urgência de ações a serem executadas para criar tirá-las da “UTI Financeira” em que se encontram. Mas como fazer isso?

Bruno Borges, consultor com experiência em reversão de grandes prejuízos acumulados em hospitais de grande porte no Brasil, garante que é possível fazer isso com uma boa gestão e a percepção real do mercado em que se encontram. Em outras palavras, é imprescindível ter velocidade nas informações, mensuração correta de dados e indicadores, e favorecimento do mercado em que estão inseridas.

O consultor foi pioneiro no desenvolvimento do projeto Tirar Hospitais do Vermelho, que propõe um plano de ação com 3 etapas e que envolve prioritariamente a alta gestão e corpo clínico das organizações. Bruno sugere que primeiro é preciso fazer um diagnóstico da real situação em que a instituição se encontra; aqui é preciso dividir o hospital em unidades de negócio e analisar quais seriam viáveis e inviáveis. O segundo passo seria criar um planejamento baseado nos números levantados e nas perspectivas dos seus gestores e, a partir daí, colocar em prática um plano que mantenha o que é rentável e exclua aquilo que representa prejuízo,  ou torne viável o que for inviável. O resultado: uma instituição operando no azul.

A Wareline Conecta separou um passo a passo para que a sua instituição também possa se beneficiar desse projeto. Confira a seguir.

O diagnóstico

O primeiro passo seria entender o panorama através de um diagnóstico levantado por meio de um conjunto de perguntas que, quando dirigidas e respondidas de forma precisa pelos superintendentes, administradores e diretores hospitalares, apresentarão a real situação do hospital. “Se estas respostas forem positivas e as ações para viabilizar o negócio já tiverem sido tomadas, provavelmente a instituição já opera no azulou possui metas de curto ou médio prazo para se enquadrar na estreita faixa que hoje tem bons resultados. No entanto, se eles ainda não tiverem estas respostas, um grande passo precisa ser dado”. Ele alerta que aqui o auxílio de sistema de gestão hospitalar eficaz, que poderá lhe fornecer com eficácia a mensuração correta dos indicadores e as respostas a todas essas perguntas, é imprescindível.  Com as respostas em mãos, são definidas as próximas medidas.

Perguntas:
O seu Hospital possui SADT`s próprios? Ou são terceirizados? 
Você  sabia que em um hospital geral com todos os serviços próprios, 31% da receita global é de SADT`s?
Os SADT`s  são as unidades de negócios mais rentáveis de um hospital geral? 
O que você faz durante a permanência do paciente para viabilizar financeiramente a conta?
[U2] 
Você sabia que cada ala de apartamentos ou enfermarias possui um custo de diária diferenciado?
Qual é a porta de entrada do seu hospital?
Diárias, taxas, Mat/Med, OPME, SADT`s... Onde está meu lucro?
Como ampliar seu faturamento?
Você está faturando tudo que tem direito?
Suas glosas estão abaixo de 2%?
Seu recurso de glosas é eficiente?
Suas tabelas estão equiparadas ao mercado?
Conta aberta ou pacote? Qual é a melhor opção?
A capacidade instalada do hospital paga seu custo fixo?
Como aumentar seu custo variável, aumentando sua receita e seu lucro consecutivamente?
Qual é o seu perfil de paciente?
Filantropia ou 100% privado? Qual é o melhor resultado? Devo manter minha filantropia?
Você sabe qual é a dimensão das clínicas existentes em seu hospital?
Quanto custa o metro quadrado em seu hospital?
DRE Gerencial por gestor! Você possui?
Gerenciamento de leitos reverte resultado? 

Em paralelo a este questionário, a segunda etapa do diagnóstico se baseia do fato de que, diante de uma tabela do SUS cada vez mais defasada e menos reajustada, uma boa estratégia de gestão estaria pautada na subdivisão do hospital em unidades de negócios, que devem ser gerenciadas a partir de controles e métodos eficazes e de fácil integração entre os diversos setores, que acontecem por meio de um sistema de informação dinâmico. A ideia seria que, a partir da divisão em unidades e uma análise minuciosa que levaria em conta os custos e retorno financeiro, seria possível avaliar quais são rentáveis e quais não são e, a partir daí, desabilitar aquelas que estão interferindo na sustentabilidade do hospital.

“Conhecer o ponto de equilíbrio de cada unidade de negócio é imprescindível quando se avalia a viabilidade de uma instituição”, garante Bruno. Aqui, segundo o consultor, algumas perguntas também precisam ser direcionadas aos administradores e supervisores, tais como quais são suas unidades de negócio viáveis e inviáveis e a conscientização de que um Hospital Geral possui em média mais de 21000 Unidades de negócio hospitalar. Com as respostas em mãos seria possível a separação de diferentes unidades de negócio em grupos por especialidade, por procedimento, por médico, por operadora, clínico e cirúrgico, por tipo de internação ou por grupo. 

Unidades de negócio por procedimento
Unidade de negócio por Médico
Unidade de negócio por operadora
Unidade de negócio clínico e cirúrgico
Unidade de negócio por tipo de internação
Unidade de negócio por Grupo 



Exemplos:
[U3] 









 














Planejamento e Plano de Ação

Enquanto o diagnóstico é elaborado, o número de unidades analisadas pode chegar a 2.000. E o objetivo é que, após uma revisão minuciosa, aconteça a extinção das inviáveis e um trabalho para tornar algumas delas viáveis, bem como para uma possível ampliação das viáveis, por meio de um planejamento bastante completo e que contemple as medidas necessárias, as expectativas dos gestores e a realidade do mercado.

Mas como avaliar o que é rentável e o que é inviável? Considerado um dos maiores problemas para as gestões atuais, essa análise envolve personagens diferentes dentro da instituição e, com isso, visões e percepções muitas vezes divergentes. Bruno adverte que é preciso encontrar um denominador comum, um alinhamento de interesses entre todos os envolvidos. “O importante aqui é entender que não basta avaliar o que é inviável, mas é necessário tomar medidas para reverter o que é inviável e em alguns casos extinguir as unidades deficitárias”, aconselha.

Embora esteja no conceito de muitos administradores que a solução para sair do vermelho esteja na redução de custos fixos e por meio de cortes no número de colaboradores, o consultor ressalta que em quase todos os casos o projeto não tem muitos impactos humanos, o que significa que não requer demissões. Ele afirma que um método viável e pouquíssimo utilizado no Brasil seria o planejamento e construção de um orçamento positivo com projeções de mudanças físicas, operacionais, gerenciamento de leito, perfil de paciente, corpo clínico, gestão comercial e mercadológica, mudanças estruturais. É plausível, a partir deste método, criar ou transformar o hospital em uma unidade viável e, a partir daí, ajustar as metas de planejamento. “O aumento da capacidade de produção hospitalar é uma das maiores ferramentas de reversão de prejuízos, pois representa uma redução de custo fixo e crescimento da receita de paciente dia., Portanto se considerarmos que não há problemas de demanda por leito no Brasil, cabe a cada hospital adaptar seu ponto de equilíbrio”.

Segundo Bruno, as metas para reversão dos prejuízos descobertos começam a serem traçadas em média 60 dias após início da fase de diagnósticos e, quando não encontram obstáculos desfavoráveis por parte da direção, os resultados podem atingir o ponto de equilíbrio em até 18 meses. “Quando as diretorias estão determinadas a alterar seus resultados e realizar grandes mudanças a partir das tomadas de decisões, o sucesso pode ser alcançado em até 2 anos”.

O cronograma de ações seria montado baseado na realidade de cada hospital, mas uma média de meses para as ações seria:
60 a 90 dias – 2 a 3 meses: quando há um bom sistema de informação, é a média de tempo para análises e conclusões da equipe envolvida;
90 a 240 dias – 3 a 8 meses: período para as implementações e grandes mudanças, mesmo quando envolvem estrutura física;
A partir do 8° mês: as contas começam a se adequar e reverter.

O consultor reforça que esses prazos não são formas milagrosas e dependem de recursos, grandes tomadas de decisão por parte da alta direção e reações do mercado em que a instituição se encontra inserida. O conhecimento de mercado do atual gestor, a disponibilidade imediata para mudanças de grandes impactos acompanhadas de um bom sistema com ferramentas confiáveis, precisas e um corpo clínico favorável à instituição na busca por procedimentos, por melhores resultados na angariação de novos procedimentos seriam os principais impactos decorrentes dessas mudanças.

Nesse cenário, precisarão passar por um novo crivo todos os contratos, o sistema de custos necessitará de informações imediatas, haverá a necessidade de um relatório que permita mensurar e acompanhar as contas dos pacientes ainda internados, entre muitos outros pontos que devem mudar ao logo dos meses que seguirão. No entanto, Bruno alerta para um ponto crucial: a receita do sucesso deste plano está diretamente ligada às grandes mudanças acontecendo em curtíssimo prazo.  “A melhoria parcial ou gradativa pode comprometer os resultados por sofrerem impactos internos e externos de longo prazo” ressalta. E a rapidez dessas alterações depende de uma diretoria que tenha força e determinação para realizar grandes mudanças políticas, comerciais, humanas, tecnológicas, financeiras, estruturais, clínicas e técnicas.


De acordo com Bruno, aqueles que optam por manter unidades de negócio inviáveis, além de terem que arcar com prejuízos, reduzem o lucro das unidades viáveis e, em muitos casos, se o software de gestão utilizado não permitir uma mensuração correta, as decisões erradas inviabilizarão totalmente o hospital, levando suas contas a fecharem no vermelho. Por meio dos dados obtidos no sistema, os próximos passos serão definidos com mais segurança, confiabilidade e otimização de processos. Daí a necessidade do software utilizado pela instituição ser preciso nas informações para que se possa traçar um resultado futuro positivo diante da previsão de demanda.


A importância da TI para o sucesso do Projeto
Não basta responder as perguntas se não houver um sistema que forneça informações precisas e seguras, que permitam a tomada de decisão baseada em dados mensurados minuciosamente. E é isso que um software de gestão hospitalar deve fazer.

A TI e o software tem um papel fundamental na gestão hospitalar. A existência de ferramentas básicas como Módulo de Custos, Prontuário Eletrônico, Módulo de Glosa, recursos para implantação de KIT`s de procedimentos, um bom sistema de Faturamento, Módulos online com interface, Módulos operacionais para cada setor, como CTI, Bloco Cirúrgico, Pronto Socorro, Recepção, Farmácia, entre outros representam confiabilidade de informações que permitam gerar relatórios com indicadores precisos. “A capacidade da equipe de TI juntamente com os consultores do sistema são o principal aliado nas tomadas de decisão da alta direção, sem a qual o projeto não obterá eficácia. O acompanhamento constante dos relatórios, as evoluções de resultado e os números das projeções necessários na construção do projeto são provenientes da TI e do Sistema”, garante.

Case de Sucesso [U4] 
Bruno Borges usa de exemplo para ilustrar como um plano de ação colocado em prática assim que os resultados são levantados o caso de uma instituição que avaliando suas unidades de negócio, viu no seu CTI (Centro de Tratamento e Terapia Intensiva) uma necessidade de mudança imediata.

Instituição: Hospital de Grande Porte – 200 leitos

Cenário inicial: operando no vermelho com prejuízos acumulados há 8 anos
Para elaboração de diagnóstico, apuração baseada em respostas ao questionário do plano e análise de suas unidades de negócio.

Problema: uma das unidades analisadas, o CTI, era composto por 16 leitos apresentava uma situação crítica: prejuízos acima de 20%. Nas análises globais do hospital, apesar do CTI não ser seu setor mais lucrativo, ele representava um montante significativo nas receitas - era a terceira maior geradora de receitas -, e por isso necessitava de uma atenção especial. Ali eram internados pacientes com as necessidades intensivas de todas as especialidades, ou seja, quando eram apurados os resultados do CTI, estavam misturados os de todas as especialidades, e não era possível avaliar quais delas eram lucrativas e quais eram deficitárias. Inicialmente, quando os 16 leitos foram desmembrados, resultaram em mais de 100 unidades de negócio. Dali saíram as informações iniciais que permitiram análise mais detalhada e profunda sobre aquela unidade, dados que foram mensurados graças à eficácia do sistema de gestão hospitalar, que permitia apurá-los e trabalhá-los - um exemplo seria o Módulo UTI do sistema da Wareline, que reúne as informações de maneira precisa e segura. A partir das informações checadas e do resultado negativo da unidade, a situação foi levada à alta direção.

Solução: foi desenvolvido um planejamento estratégico que envolvia grandes mudanças, começando pelas físicas. Uma ala de apartamentos que apresentava maior ociosidade teve seus ocupantes realocados, sem perdas de receita, e em seguida foi desapropriada e reformada para a criação de mais 14 leitos de CTI, totalizando-se 30 leitos.  

Para que esses novos leitos resultassem em lucro, viabilizando a unidade como um todo, precisariam ter uma ocupação mínima de 85% e seu perfil necessitava de uma rotatividade maior, erigindo o gerenciamento de leitos - até então não existente na instituição.

Na segunda etapa do projeto, este CTI precisava ser composto em sua ocupação por pacientes de unidades de negócio viáveis. No caso desta instituição, por meio de dados obtidos junto do CTI e do software, a mais viável era a Cardiologia (especialidade). Daí o surgimento da nova ala, a CTI UCO, uma unidade apenas coronariana.

Resultados: 18 meses após o início dos trabalhos, o resultado da nova unidade foi considerado surpreendente, pois passou a contar com um lucro que antes era inviável na CTI. Foram reunidos nesta unidade apenas pacientes com baixa permanência e maior ticket médio agregado e, por conta de ser uma unidade nova, seu custo de manutenção teve uma redução em comparação com a estrutura antiga. Ainda houve uma contribuição para que os resultados do CTI clínico tivessem melhor performance por baixarem os custos fixos.
A melhoria também envolveu as equipes do local. “Antes a instituição tinha dois intensivistas para 16 leitos, ou seja, um para cada 8 leitos, sendo que a legislação determina um para cada 10. Com o novo CTI, passaram a ter 30 leitos e um profissional para cada 10, o que gerou menor custo por leito. Além disso, o custo da coordenadora também foi diluído. Com um perfil mais seletivo para o CTI UCO, conseguimos um resultado suficiente não apenas para gerar lucro, mas também para cobrir os déficits do CTI clínico”, explica Borges.

Ponto de Equilíbrio CTI`s














Diferencial decisivo: o entendimento por parte da direção sobre os números levantados e a aprovação imediata do planejamento foram primordiais para o sucesso do projeto e, principalmente, para a melhoria nos resultados globais da instituição, além de ser uma alavancagem para a aprovação de novas mudanças, como novo centro clínico, fim da ociosidade do bloco cirúrgico, transformação de um apartamento em duas enfermarias com geração de maior valor agregado, implantação das unidades de negócio por médicos (cobrando-se maior empenho dos médicos), etc.

Cenário final

Ficou claro que há diversos benefícios a serem conquistados pelas instituições de saúde brasileiras que seguem esse plano de ação. Entre eles, os principais seriam:

1.       Conhecimento de gestão hospitalar, com mensurações precisas e corretas;
2.       Tabelas compatíveis e ajustadas;
3.       Extinção das unidades de negócio inviáveis e ampliação das viáveis;
4.       Ampliação da capacidade operacional das unidades viáveis em casos de existência de demanda para atingir ponto de equilíbrio e lucro posterior;
5.       Possuir serviços de SADT`s próprios que representam, em um hospital geral, uma média de 31% das receitas globais e que possui a maior margem de lucro (lucros em SADT`s podem chegar a 41% em um hospital privado e 22% em um hospital filantrópico). Quando não for possível possuir serviços próprios, a instituição deverá negociar com os terceirizados um royalty de participação.

Um exemplo de projeção de resultados de SADT`s está no gráfico a seguir.

Embora pareça difícil para a direção das organizações, a reversão dos resultados pode ser alcançada em quase todos os casos, cabendo à instituição tomar grandes decisões a partir de ferramentas confiáveis e traçar grandes mudanças de curto prazo. Convidamos a direção das mais de 80% das instituições deficitárias do país a projetarem o melhor caminho.


 [U1]